4 de maio de 2010

Mais do mesmo






Há um tipo de pensamento-conflito em mim... Por um lado a vontade de uma continuidade, que é descontínua, por natureza; por outro, a ânsia pelo novo, que não pode ser plenamente novo, por definição.

Do mesmo modo, há uma existência-conflito em mim... A vontade de existir, pelo ato contínuo de prosseguir uma existência iniciada, e seu contraponto cruel; agregar algum tipo de valor a esta existência insistente.

Os dias que atravesso, ou ainda, os que efetivamente vivo, formam aos poucos um painel, que futuramente denominarei passado. E o conflito, pensamento ou existência, desponta cruel na construção deste espelho revés, que os menos atentos preferem entender como degraus de uma escada.

Fazer, mudar, construir, inovar, continuar, reproduzir, inventar (adaptar) - verbos chave no viver de um único dia. Verbos insistentes na busca pela solução de qualquer conflito.

25 de fevereiro de 2010

A Mecânica do Surgimento da Vida

Um ano depois vi que o Festival do Minuto disponibilizou os comentários dos curadores sobre meu filme. É muito legal quando você faz uma coisa levemente hermética e alguém alcança sua idéia! E mantendo a linha dos meus outros trabalhos, tem gente que não gosta mesmo, e isso é o mais legal, você conseguir fazer algo que desperte as pessoas, por gostarem ou não do que foi feito. Reproduzo abaixo todos os comentários (bons e ruins):

Curador 1 (23/06/2009)Até é interessante a analogia entre a catraca e a gravidez, mas achei o vídeo tão mal realizado, as atuações tão ruins, os planos da cena de sexo tão xulos, que não dá.

Curador 2 (23/06/2009)Mistura inocência com um forte teor de realidade na cena de sexo, idéia original.

Curador 3 (23/06/2009)não vi a relação entre catraca e sexo.

Curador 4 (23/06/2009)muuito estranho, muito interessante. só peca ao cair no "Bonitinho" do plano final...

Curador 5 (23/06/2009)Explícito e criativo. Permite criar um efeito entre os dois videos, que possuem níveis praticamente destintos, referente a rotatividade da vida.

Curador 7 (23/06/2009)Sexo intercalado com uma catraca para sugerir mecanicissidada na sociedade. Não objeve exito ao compor o vídeo.


Curador 8 (23/06/2009)Para o tema ele foi algo bem diferente, acredito que o surgimento da vida não tem muito a ver porem a garotinha passando por baixo da catraca fez com que o casal também pareça fazer algo que não é permitido (traição).

Curador 9 (24/06/2009)Boa linkagem de idéias. Quando começõu achei que era pornotube, mas foi ficando bem legal.

Curador 10 (24/06/2009)Decupagem e enquadramentos inteligentes. Edição muito bem trabalhada desenvolvendo a proposta do autor que consegue tratar o tema com humor sem diminuí-lo, excelentes as metáforas e os "metadentros" - não resisti à piada - hehehe. Adorei o roteiro e suas sacadas, e a expressão no rosto da moça é impagável, kkk. Parabéns.

Curador 11 (24/06/2009)Muito bom! Conseguiu usar a metáfora da catraca de forma clara, mas sutil, sem descambar para o apelativo. Excelente edição, decupagem bem pensada, trilha muito bem aplicada. E é engraçado.


Curador 12 (24/06/2009)a metáfora ficou um pouco bizarra e forçada, ao meu ver. o vídeo coteja o mau gosto.


Curador 13 (24/06/2009)Criativa a relação feita no vídeo, ficaria melhor em um nano, ficou repetitivo.


Curador 14 (24/06/2009)Eu confesso que não consegui entender a linha de pensamento que o diretor traçou relacionando a catraca com sexo, pessoas passando pela catraca e depois uma criança passa por baixo. Não compreendi. Mas trata-se de um vídeo com um bom roteiro, com uma sonoridade que corresponde ao jogo de cenas, que se preocupou com todos os detalhes (bem se vê pelo tamanho da equipe) e que passa uma idéia, ou seja passa uma mensagem. Apenas não compreendi, mesmo lendo a descrição do vídeo.

Curador 15 (24/06/2009)boa ideia, final bem interessante.




24 de fevereiro de 2010

Histórias sem Fim ou É Segredo

Recentemente fui jogado para recordações de acontecimentos do ano passado e na hora nem pude evitar pensar no enredo do Salgueiro deste ano, “Histórias sem Fim”...
Mas nada de livros ou repetição de histórias contadas ou recontadas. Apenas se fez presente um conflito para o qual eu havia chamado a responsabilidade e jurava ter colocado um ponto final. Mas o samba do Salgueiro trazia em sua (fraca) letra a seguinte frase: “uma história de amor, sem ponto final...” Não, não é nenhuma relação amorosa que volta à tona, apenas um conflito relativamente sério para o qual aparentemente não apareceu ainda o ponto final.
Acho bem estranho como as pessoas mudam de acordo com o que ouvem ou com o que querem. Mais estranho ainda é como as pessoas recuam justamente quando percebem que ganham nossa confiança. Aliás, esse me parece o ponto chave de todo conflito. Ao sentirem-se seguras na confiança que recebem, algumas pessoas tendem a dar passos muito largos, talvez como forma de confirmar até onde essa confiança vai. Porém a covardia em relação aos fatos, ou em assumir coisas que muitas vezes são perceptíveis, acaba fazendo com que as histórias corram ao encontro de outro enredo...
“É Segredo” foi um tsunami no carnaval. Sucesso de público, crítica e jurados! A letra trazia uma frase bem interessante: “pare pra pensar, vai se transformar ou esconder até o final?” E enfim retomo a história que havia acabado e não acabou. Para que algo seja escondido até o final é preciso que seja segredo, do contrário perde este status e passa a ser apenas um fato.
E como reagem as pessoas que vêem seus segredos arrancados do ar de mistério e transformados em fatos? A experiência mostrou um mecanismo simples de defesa, o confronto. Afinal, e isto vale para mim inclusive, é muito mais fácil confrontar aquele que conhece seus erros do que olhar para dentro de si e reconhecer-se fraco em algum aspecto. Com a criação do confronto, os fatos que antes eram segredos são reduzidos à categoria de implicâncias ou picuinhas.
As simplificações me dão preguiça e preferia mesmo ter nascido em épocas que conheço apenas pelos livros da Jane Austin. Garanto que esta história com ex-segredos fortes no quesito alcova ganharia contornos saborosos, ao ser lembrada em jantares ou passeios pelos bosques, na boca de senhoras e moçoilas bem vestidas e de educação impecável.
Este é o grande mal da modernidade: simplificam-se as pessoas, simplificam-se as relações e qualquer tentativa de reflexão sobre o todo se transforma numa lengalenga geralmente taxada de filosofia de botequim.

20 de fevereiro de 2010

Paulo Barros X Marcelo Dourado


Participo de várias listas de discussão na internet sobre o carnaval, mais especificamente sobre os desfiles das escolas de samba. Outro dia, em um destes fóruns, havia um tópico que me chamou bastante atenção: debatia a homofobia presente nas atitudes de Marcelo Dourado. Como em todas as discussões deste tipo, haviam muitos ataques ao comportamento do lutador dentro da casa do BBB.

Havia um menino, o mais fervoroso na condenação de Dourado, que afirmava que o fato dele bem conviver com os outros não era suficiente pra mostrar que ele não tinha preconceito. Até lancei sutilmente uma questão, digo sutilmente porque não é do meu feitio me envolver em calorosas discussões, o que espera-se do Marcelo? Ele, apesar das merdas que fala, conversa com respeito mesmo com pessoas que forçam a barra para mostrar mais do que são. O que ficou claro para mim na discussão que acompanhava, é que a única chance do Dourado não ser considerado homofóbico era declarar-se gay, ou bi, ou entrar em algum joguinho homoerótico com as bibas da casa. Estranho que Eliéser, sempre envolvido nestes joguinhos, deu outro dia a seguinte declaração sobre homossexualismo: Não é normal! Fico imaginando se essa frase saísse da boca de Dourado, o alarde que não seria feito.

Voltanto ao meu colega do tópico, que condenava Dourado por ser um ogro, de idéias fechadas, ultra conservador... Após a apuração, debates e mais debates sobre a campeã (de público, crítica e jurados) Unidos da Tijuca, e lá estava o menino afirmando categoricamente: "a vitória da Tijuca enterrava de vez o desfile das escolas de samba". Para ele, ao conquistar um título que há muito perseguia, Paulo Barros teria agora seu estilo referendado como a única forma de se fazer um desfile de escola de samba. E que outras escolas seguiriam este exemplo, transformando o desfile em um espetáculo da Disney.

Confesso que fiquei intrigado ao ler isso, a rejeição a Dourado neste momento me pareceu um confrontamento com o espelho. Neste grande show do senso comum que se faz em nossa sociedade, por vezes sinto que falta um pouco mais de reflexão sobre nossas opiniões.

A propósito: não sou defensor ferrenho do Dourado, nem do Paulo Barros! Reconheço neles qualidades e defeitos, que não são o foco desta reflexão.

4 de fevereiro de 2010

Tipos



Em épocas de grande irmão viramos todos um tipo de psicólogo, psiquiatra e mesmo sociólogo. Pelos diversos modelos humanos que nos são apresentados ao alcance do controle remoto lançamos nossos olhares e nossas interpretações. Não é segredo que sou atraído por algumas coisas bastante popularescas, estão aí os desfiles das escolas de samba e o próprio BBB pra confirmar isso.
Gosto e muito de ver o programa, mas mais divertido que o programa em si é o que vem depois, seja na leitura de especialistas no assunto (adoraria ter essa profissão: especialista em BBB) ou nas conversas informais com amigos e colegas. Foi justamente nestas conversas que fui lançado a enxergar uma série de pessoas que estão ou estiveram ao meu redor e que de certa forma são representadas pelos tipos do programa.
A alma intelectual que cultivei durante alguns anos de minha juventude rejeita fortemente a doutora Elenita. Saber o que fui e principalmente aquilo que alguns que por mim passaram ainda são me mostra que o caminho escolhido por mim não foi tão equivocado assim. Contatos recentes também mostram que quando mergulhamos no profundo conhecimento, perdemos a força para a ação sobre o assunto.
Formando um contraponto que beira fofoca, também é possível reconhecer no casal do trintão submisso apaixonado pela menininha nova e aparentemente inofensiva várias situações que presenciei ao longo dos anos. Muito desse conhecimento é pelo fato de ser professor e ver por diversas vezes marmanjos perdendo a cabeça por, como se diz na suburbana e rica linguagem do funk: uma novinha. As lógicas destas relações eu até compreendo, mas não de uma maneira que possa ser pronunciada impunemente.
Consequência também da profissão é reconhecer no comportamento da dançarina (Lia) vários traços bem típicos da personalidade feminina. Uma mulher extremamente sensual, que provoca, mas se sente ofendida ao ser abordada de forma mais contundente. É como uma história que ouvi essa semana: de uma menina que conversa com um menino, trocam carinhos, ele a beija, mas ela rejeita por respeitar o namorado.
Os outros tipos aparecem aos montes pela rua: o fortão burro, a barraqueira, a bonitinha quase santa, a bunduda tarada, o brutamontes com coração, a bichinha saltitante (nova ou velha), a sapata feminina e séria (mas nem tanto) e o bronco em tentativa de regeneração. Lamento muito que em todas estas edições a globo não tenha conseguido acertar na escolha de negros que fizessem algum tipo de diferença no programa, situação muito diferente da que presenciamos em nossas vidas quase que diariamente.
Pra finalizar, se for seguida a linha dos últimos anos, nos quais sempre ganha a figura que eu mais detesto dentro do programa, devem disputar o título (na ordem da minha aversão): Eliéser, Serginho ou Alex.

26 de outubro de 2009

e vem aí o carnaval!



Vem aí o carnaval! Sambas para o ano que vem escolhidos e muita coisa ainda pra acontecer... Cedo para imaginar, porém dois quesitos já se apresentam quase explicitamente: enredo e samba-enredo!
De longe a Vila Isabel com sua homenagem a Noel Rosa me parece favorita em qualquer previsão antecipada de título. O melhor samba-enredo do grupo especial.
Não entendo ainda o furor causado pela quase-marcha escolhida pela Mocidade Independente para o seu desfile. Ou a escola tem muitos torcedores, ou realmente tudo o que penso e aprendi sobre samba não parecem fazer muito sentido agora, tendo em vista que em praticamente todos os fóruns a escolha é comemorada e em enquetes o samba é tido pelo menos entre os quatro melhores.
Costumo simpatizar demais pelos sambas da Unidos da Tijuca, mesmo que sempre escolha como preferido na disputa algum samba que não ganha. Para o próximo ano o Borel traz um dos melhores enredos e um samba que pra mim carrega uma pitada de magia. É aguardar para ver!
Imperatriz e Mangueira parecem ter feito boas escolhas, entretanto acho que preciso ouvir mais as obras ou pelo menos ficar com vontade de ver desfiles que, em 15 carnavais, já vi passar diversas vezes pela avenida.
Abrindo uma página na história o Salgueiro optou por um enredo maravilhoso, mas como sempre tem feito, realizou uma das mais equivocadas escolhas do ano.
Equivocadas também me parecem as opções da União da Ilha e sobretudo a da Grande Rio, cujo enredo não me parece ter qualquer sentido.
Na disputa pelo título, impossível desconsiderar a Beija-Flor, que escolheu um samba que supera qualquer expectativa criada com relação ao enredo sobre Brasília. Na outra ponta, sempre lutando para não cair está a Porto da Pedra, que traz para a avenida um daqueles enredos que quase se confirmam todo ano, mas quase nunca temos a oportunidade de ver. Uma boa escolha, mas muito aquém do que podem os compositores da simpática e valente escola de São Gonçalo.
Destas bandas ainda temos a Viradouro, com um enredo simpático, mas um samba esquisitíssimo. Faz tempo que a escola deve uma grande obra, e não será ano que vem que propiciará isso na avenida.
E parodiando um grande samba: se eu for falar da Portela, hoje eu não vou terminar. Um resumo: enredo totalmente desconexo que será defendido por um samba que tem como única qualidade a assinatura de Diogo Nogueira!
Se eu tivesse que escolher desfiles para ver, escolheria: Vila Isabel, pela poesia natural do assunto escolhido; Beija-Flor, pelo poderio financeiro aliado ao melhor chão; Unidos da Tijuca, pela certeza de que será um dos melhores trabalhos do Paulo Barros e por fim União da Ilha, porque brincar é preciso e a Ilha é só alegria!

18 de setembro de 2009

outras perguntas

Você sabe exatamente por que o volume de uma pirâmide é igual a um terço do volume do prisma de mesma base? A pergunta é simples, tendo em vista que este conteúdo é ensinado, invariavelmente, no segundo ano do ensino médio.
A resposta é muito mais complexa do que parece, e pode pegar de surpresa grande parte dos professores brasileiros. Para uma demonstração correta deste resultado são necessários muitos outros resultados, uma característica fundamental da matemática.
O fato é que os jovens comtemporâneos tão acostumados com respostas rápidas e regras altamente flexíveis nem sempre estão dispostos a refletir sobre tudo o que lhes é apresentado. Pelo contrário, entre uma maneira de pensar, e uma regra simples para resolver a mesma questão, eles optam instantaneamente pela regra.
Curioso é que estes jovens utilizam html nas suas postagens na internet, utilizam modernos aparelhos com extrema facilidade e realizam várias tarefas que os não jovens de outras gerações não conseguem sequer supor como começar. Entretando não devemos comemorar esta 'nova inteligência', os jovens reproduzem padrões, aprendem mecanicamente a repetir uma série de fatores e muitas vezes, embora pareçam dominar algo, são facilmente surpreendidos por uma pergunta simples a respeito daquilo que eles tanto se orgulham em conhecer.
A escola não fala mais a linguagem dos jovens, mas pergunto, até que ponto a escola pode abdicar do seu papel de formação de cidadãos para se adequar às urgências da juventude?

2 de setembro de 2009

Os ônibus seguem rodando,
o preço da passagem segue aumentando...
Um pneu furado no meio do caminho,
um banco solto, um motorista imprudente.
Vistoria na minha vida, agora!
No ponto: quem espera tem pressa...
Meu peito, batendo por quem interessa!
Difícil pensar-se egoísta,
mas o mais difícil é confrontar-se impotente.
No limite da decência uma súplica,
contra a minha revolta: um escudo humano.
Investigações sobre o que nos resta de humanidade,
enquanto tudo ( todos? ) o que temos de mais real
Envelhece!

11 de agosto de 2009

NATURALMENTE

Recentemente escrevi um roteiro com esse nome. A inspiração veio da música "Naturalmente", interpretada por Fafá de Belém na década de setenta; o roteiro versava sobre as já constatadas relações matemáticas presentes na natureza e sobre as outras tantas ainda sem explicação.
"Carece de explicação" por sinal é outra música interpretada por Fafá, de autoria do Dominguinhos, cujos versos são e serão sempre atuais: "chega um tempo na vida, que a gente presta atenção, vê que nem tudo no mundo, carece de explicação".
Versos propícios por sinal, principalmente pelo desenrolar de fatos da última semana. Da reportagem do Jornal da Globo veio a constatação de algo, que eu enquanto educador já intuia faz tempo: os jovens, dotados de imenso imediatismo, não estão conseguindo se manter no mercado de trabalho. A falta de postura e comportamento adequado são apontados pelas empresas como os principais motivos para o não preenchimento de vagas de estágio.
A compreensão de que uma carreira deve ser construída com o tempo, passando por várias etapas não parece ser o forte dos jovens de hoje. Vindos de uma geração de ícones e ídolos passageiros, ainda falta estrada a percorrer.
Numa atitude simplista e simplificadora proponho uma medida imediata: em véspera de jogo do Brasil, não seria má idéia os comentaristas pararem de "fabricar" grandes jogadores, antes que eles mesmos construam suas carreiras. Fenômeno, fabuloso e outros adjetivos, podem sim ser acoplados a nomes de jogadores, mas somente após eles terem mostrado de fato em suas carreiras, merecimento para recebê-los. Pelé não virou rei antes dos vinte.
"Ter cada estrada para andar, andar em cada para ser". Trechinho da música título do post, que é o que eu quero dizer dito de forma simplificada, e só é assim, pois foi uma música composta por Caetano Veloso e Joao Donato, que andaram e foram e são!


7 de agosto de 2009

Um bom enredo dá um bom samba...

Começam agora a pipocar na internet os sambas concorrentes nas escolas do Rio de Janeiro e São Paulo. As escolhas dos enredos, feita antes, já dava uma idéia do que ia acontecer.
Salgueiro irá falar sobre livros, enredo fértil e sambas muito bons, porém o samba do Edgar do ano passado (que muito injustamente não foi para a avenida) ainda mostra o potencial não alcançado ou não reconhecido dos compositores da escola.
Tijuca talvez mude de enredo, mas com uma obra como a da parceria do Lula e Márcio Biju, vai ser difícil. Um samba com cadência, poético, como há tempos não se ouvia...
Vila Isabel, resolveu cantar Noel, foi o primeiro enredo a ser anunciado e os sambas confirmaram o que se esperava. Obras muito boas, é possível imaginar quase todas elas no desfile da escola.
Grande Rio, Porto da Pedra estão na lanterna... A Grande Rio tem a imensa desvantagem de ter que provar a todo custo, que o camarote número 1, que é restrito aos mortais, é a cara do carnaval. Incoerência pura!
Ilha e Imperatriz preciso ouvir melhor, mas nada que tenha me chamado atenção.
E pra concluir a história, o enredo encabeçado por José Serra não deve dar muito samba. A proibição nunca funciona, serve apenas para que se estude formas de burlar uma regra. É certo que alguém lucrará com isso... Resta saber quem!